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telavelha

figura 1 - A tela a ser descartada

materialnecessario

figura 2 - Material necessário

tirandovelha

figura 3 - Tirando a tela velha

prendecantos

figura 4 - Prendendo os cantos

primeiros_laterais

figura 5 - Cantos já grampeados

primeirolateral

figura 6 - Começando a grampear as laterais

usando o torques

figura 7 - Usando o torquês

tela já toda esticada

figura 8 - O canto preparado para acabamento

xfixando o segundo

figura 9 - Dando acabamento no canto

xmaterial para o preparo da superfície

figura 10 - Material para o trato da superfície

xtratando o verso

figura 11 - Tratando o fundo da tela

xtratando a superfície

figura 12 - Tratando a superfície

Montagem de Telas para Pintura
por Oswaldo Pullen

Quando a sua produção começa a aumentar, e você a evoluir, duas coisas são comuns em seu ateliê: Um volume enorme de trabalho realizado se amontoa em velhas telas pelo canto, e uma boa parte se torna em entulho descartável, representado por trabalhos que você, depois de muito esforço e evolução, já considera como ultrapassado, e que não deve sequer ser mantido ou, menos ainda, ser mostrado. Outros refugos são o resultado de experiências mal sucedidas, de trabalhos interminados, que não vale a pena continuar, e por aí afora. O que fazer com isto?

Isto tudo sem falar no custo de novas telas, principalmente, quando a estrutura (o chassis) é bom, e queremos aproveitá-lo. O reaproveita- mento de um chassis é muito mais fácil do que parece, e um novo entelamento, extremamente fácil de ser executado.
 

Material Necessário
O material não é muito, e é fácil de ser encontrado:
1. chave de fenda
2. torquês
3. grampeador para estofados
4. estilete
5. pincel, tipo brocha
6. algodão crú, de boa espessura
7. 1 galão de verniz acrílico incolor da Metalatex, ou equivalente
8. 1 litro de Rodopás

Tirando a tela velha (fig 3)
O nosso primeiro passo será retirar a velha tela do chassis, que não nos interessa aproveitar. Faça isto com a chave de fenda, iniciamente para afrouxar os grampos, e depois termine de retirá-los com a torquês. Caso a tela esteja presa com pregos, você terá um pouco mais de trabalho, levantando primeiramente os pregos com a chave de fenda, e os arrancando com a torquês. Caso esta operação se torne impossível, procure arrancar a tela puxando-a com a torquês. É importante que não reste nenhum tecido embaixo dos pregos.
A seguir, tente tirar o prego novamente. Se não sair, bata até que sua cabeça se torne rente à madeira, e deixe-o lá, porque não vai nos atrapalhar...
Ao final deste processo, teremos o chassis livre da tela, e pronto para que possamos trabalhar.

O Algodão
Agora, está na hora de nos preocuparmos com a tela propriamente dita. Já vi gente trabalhando com tecido fino demais, o que, além de fornecer um suporte frágil para o próximo trabalho, fica por demais flexível, e pode rasgar durante o entelamento. O ideal é que o algodão seja grosso, de trama uniforme, e sem pelotas ou imperfeições.
Este tecido, quando cortado, deve ter, para chassis com 2 cm, pelo menos 5 cm de sobra, para que possa ser virado e preso com conforto. A melhor forma é colocar o chassis sobre o tecido antes do corte, e ver, de fato, quanta sobra é necessária para o trabalho. Se for de menos, você terá dificuldade em prende-lo, e se for demais, o tecido sobrará, tentendo a virar as bordas, depois de preso.
Com o pano cortado, centre o chassis de forma a manter a sobra igual em todos os lados. Não tenha pressa, e faça as medições com cuidado.

O início da fixação(fig.4 e fig.5)
Vamos começar pelos cantos, o que fará com que a tela já fique em sua posição correta. Dobre os cantos, em ângulo reto, conforme mostra a figura 4, e fixe-os com o grampeador. Não tente, durante este processo, esticar a tela em demasia, pois isto pode causar deformações, e é coisa para ser feita depois. Basta que o pano esteja liso, e corretamente posicionado. Observe que a dobra deve ser em ângulo reto, para que o acabamento nos cantos fique perfeito.
A seguir, vamos começar a grampear lateralmente. Coloque um grampo em cada lado do chassis, mantendo sempre a mesma posição relativa. O que quero dizer é que você deve grampear o primeiro, por exemplo, ao lado esquerdo, girar o chassis, grampear o segundo também ao lado esquerdo, e assim por diante, até que os quatro primeiros grampos estejam colocados.

Continuando a fixar os grampos
Este processo exige que você, a cada grampo que fixa, gire o chassis, como fez na fase anterior, de maneira que todos os quatro lados do chassis estejam sempre com o mesmo número de grampos colocados. Neste momento, já é necessário o uso do torquês, para esticar a tela.
O segredo é puxar o tecido com o torques, virando-o por cima do chassis, e mantendo-o seguro, fixar o grampo. Conforme novos grampos vão sendo colocados - a igual distância um do outro, você vai notar (com o uso do torquês) que a tela está ficando mais e mais esticada.
Fixando os cantos
Terminado de fixar os grampos por todo o chassis, vai nos restar somente resolver as quinas da tela. Faça isto primeiro dobrando um dos lados do tecido por sobre o canto (que foi fixado no início do processo), grampeando, e a seguir dobrando o outro lado (do mesmo canto), e repetindo a operação. Feito isto em todos os quatro cantos, a sua tela deverá estar completamente esticada. Se notar que em alguma área ela está algo frouxa, retire os grampos desta região, e com o torquês, estique bastante o tecido e vá grampeando novamente, até que a rigidez do tecido seja suficiente.

O trato da superfície
IEsta é a última fase da preparação da tela, indispensável para que possamos pintar sobre ela. O resultado deste tratamento é uma superfície impermeável, que permite a pintura tanto à óleo, quanto em acrílico. Teóricamente seria possível pintar em acrílico sobre uma tela não tratada, mas os resultados são decepcionantes.
As telas compradas prontas vem com diversos acabamentos, sendo o mais comum a tinta PVA. Esta tinta é arenosa, e tende a craquelar ao longo dos anos.
O ideal é a utilização de uma mistura de resina acrílica transparente (eu uso da Metalatex), com Rodopás (também encontrada em lojas de tinta e de material de construção) e água, em partes iguais.
Use uma brocha de pelo de marta, um pouco mais cara, mas que não solta pelos, e que, se bem lavada ao término das sessões, dura indefinidamente.
Como disse, faça a mistura de resina, rodopás e água em partes iguais. A seguir, começe a impermiabilizar a tela pelo fundo, o que evita o aparecimento de mofo em ambientes de muita humidade.
Feito isto, você pode imediatamente virar a tela, e dar a primeira mão na frente. Deixe secar completamente, e dê mais duas mãos.
Após, use uma lixa nº 200 para lixar, e terá uma tela com superfície quase que lisa, e preparada para a pintura.
Caso queira um acabamento mais sofisticado, limite-se à primeira demão, lixe, e após, aplique gesso acrílico (tanto a Acrilex quanto a Corfix dispõe deste produto), em duas demãos, dissolvidas em um pouco d’água. Lixe novamente, e sua tela estará pronta para o uso.
Não se esqueça nunca de, entre as demãos e ao final, limpar sempre o seu material. O carinho que voce tem com seus pincéis e tudo o mais vai refletir sempre na qualidade de sua obra.
Não se esqueça também de limpar muito bem a borda do vidro onde vai guardar a mistura preparada, pois se não, vai ter problemas para abri-lo novamente...


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